É tão bom ler textos que nos instiguem, que nos levem à reflexão, que nos dêem prazer... Tenho lido muito, principalmente sobre a Filosofia de Luc Ferry (a conselho do amigo Jairo), sobre Contos (já que tenho a pretensão de publicar os meus), e hoje, tive a grata surpresa de ler os poemas do Leandro Bassini. Gostei da musicalidade, das idéias sugeridas, da construção e do conjunto do poema. Compartilho com vocês, que lêem estas linhas, os poemas Ponto e A arte de ver o mundo. Aproveitem!
PONTO
Leandro Bassini
Um ponto é um ponto e fim.
Fim de frase, fim de linha;
Negócio fechado, acordo tratado;
Último passo, beira do abismo;
Questão de honra, passo a passo, rinha.
Boca pequena, trama e linha.
Quanto cabe em um ponto?
Toda a tinta que houver.
Toda a fidelidade que houver.
Toda a certeza que houver.
Toda a paciência que houver.
Todo o infinito.
Um ponto é over.
Todo conto termina num ponto, para dar início a outro conto.
Ponto é pausa para o recomeço;
É suspiro; não é vírgula não, é suspiro de berço.
É apreço. ... enfim recomeço
O que cala um ponto?
Não cala não.
É definição.
Um ponto pede, insiste – é persistente
Nada se esconde num ponto – se revela.
Todo mundo freqüenta um ponto.
O táxi, o ônibus que se espera.
O norte, o sul que se aponta.
O ponto X, o ponto Chic, o ponto G.
Ponto de entrega, o ponto da entrega
O ponto.
O que parece limite, é fuga.
O que parece singular, é mutação.
O que parece segredo, é vista.
Um ponto é ponto mas não é o fim não.
A ARTE DE VER O MUNDO
Leandro Bassini
Eu como o mundo
E vejo tudo como Neruda.
Minha íris rendilhada
Transforma o aqui e agora
Em poesia e estrada.
O sangue é infra vermelho
O mar é alma contida
O olhar é palavra escrita
O céu é cartola e coelho
Os caminhos que sigo
As direções que tomo
São sopros, jogos do que sinto.
A morte é azul Portinari
O amor é profundo mergulho
A dor é pai sem orgulho
A sorte é achado que se ri
O mundo tem as cores da alma
Aquarela rebuscada
Busco na fé a calma
Para a folha em branco
Que escrevo a martelada.
Todos os sentidos
Todos os desejos
São para mim
Marcas dos anos idos
Loa aos próximos janeiros
Um espaço para a prosa e a poesia de todo dia, um espaço para os textos que amamos, os textos que produzimos, os textos que geram outros textos... Viver em prosa e poesia, sem perder a ingenuidade e a utopia, mas de olhos abertos para o que se mostra, para o que é presente, para o que machuca e para o que se sente.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Tempos de abraços
Nesses tempos de abraços e votos de felicidades, parece que o mundo, pelo menos o nosso pequeno mundo, constituído de amigos, familiares, conhecidos, se torna extremamente sentimental. Abraços, beijos, carinhos são constantes e o cotidiano é invadido por sensações que ficaram ocultas sob a avalanche de compromissos, tarefas...
É bem verdade que o cartão ao meu lado desmente minhas afirmativas e os dizeres: "Vovó eu amo você de coração" não reflete o espírito do natal, pois já me foi dado há algum tempo, e sim demonstra a afetividade da criança que descobre que além da mãe e do pai pode contar também com a avó nas horas difíceis para ela (chuva, trovão, dores de barriga, brigas com o primo). Mais do que isso, demonstra a conquista da palavra escrita que pode expressar seu mundo interior.
Mas é nesta época do ano que afloram os sentimentos e os e-mails nos trazem mensagens de quem não está perto, ás vezes acompanhados de sons, imagens. Tudo isso para dizer: Lembrei-me de você! Estou longe, mas gosto de você!
Já disse uma vez que a distância pode separar o abraço, mas não pode impedir o afeto e isso se comprova nos vários telefonemas que recebemos e nos cartões que enviamos. (Afinal, alguém ainda envia cartões pelos correios?)
Enfim, nesta manhã de 2012, em que as festas já se acabaram e os compromissos começam a bater à nossa porta, a vida retorna ao seu cotidiano. As expressões de afeto, agora, são rápidas e banais. Tornam-se mais saudações apressadas e não mais é preciso demonstrar que gostamos do outro.
Será?
Será que é preciso uma época especial para dizer que gostamos do outro? Ou, como Isabella, dizer, àqueles com quem convivemos, a qualquer hora, sem compromisso, sem data, sem motivo:
Eu gosto de você! De coração!
É bem verdade que o cartão ao meu lado desmente minhas afirmativas e os dizeres: "Vovó eu amo você de coração" não reflete o espírito do natal, pois já me foi dado há algum tempo, e sim demonstra a afetividade da criança que descobre que além da mãe e do pai pode contar também com a avó nas horas difíceis para ela (chuva, trovão, dores de barriga, brigas com o primo). Mais do que isso, demonstra a conquista da palavra escrita que pode expressar seu mundo interior.
Mas é nesta época do ano que afloram os sentimentos e os e-mails nos trazem mensagens de quem não está perto, ás vezes acompanhados de sons, imagens. Tudo isso para dizer: Lembrei-me de você! Estou longe, mas gosto de você!
Já disse uma vez que a distância pode separar o abraço, mas não pode impedir o afeto e isso se comprova nos vários telefonemas que recebemos e nos cartões que enviamos. (Afinal, alguém ainda envia cartões pelos correios?)
Enfim, nesta manhã de 2012, em que as festas já se acabaram e os compromissos começam a bater à nossa porta, a vida retorna ao seu cotidiano. As expressões de afeto, agora, são rápidas e banais. Tornam-se mais saudações apressadas e não mais é preciso demonstrar que gostamos do outro.
Será?
Será que é preciso uma época especial para dizer que gostamos do outro? Ou, como Isabella, dizer, àqueles com quem convivemos, a qualquer hora, sem compromisso, sem data, sem motivo:
Eu gosto de você! De coração!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
EM PROSA
Tanto tempo sem escrever! Falta poesia? Falta tempo? Falta vontade?
A poesia se esconde e por um tempo a prosa se mostra em lembranças e sensações. Neste espaço de prosa e verso, busco na memória as lembranças, as sensações e compartilho momentos vividos e pensados. Um outro rumo para a expressão, quem sabe, mais constante...
CORES
Verdes da Avenida Champs-Élysées em Paris
As cores da natureza sempre me impressionaram. Lembro-me de momentos intermináveis, na rede, na varanda da casa tão sonhada, de minha mãe, apenas a olhar o azul do céu e as nuvens que corriam, ora rápidas, ora lentas, em formas que a imaginação identificava.
Tardes inteiras de contemplação do azul, do branco, do dourado... O livro, deixado de lado, aguardava o reencontro com a leitora que, embevecida, esquecia enredos e apenas contemplava.
Até hoje o céu, seja ele azul, cinzento, ou negro, atrai meu olhar.
Em minhas viagens, as cores, não só da natureza, mas das criações do homem também me encantam e eu tento descrever àqueles que me rodeiam, as cores dos lugares em que estive, seja por breves momentos, seja por alguns dias...
E, sem dúvida é de Paris que vêm as lembranças coloridas mais fortes.
Os verdes de Paris!
São indescritíveis! Os jardins, em sua simetria, trazem tantas tonalidades de verde que é difícil de explicar. Vão do mais claro, esbranquiçado, ao mais escuro, terroso, verde negro. Caminhar por entre alamedas frescas e perfumadas revigora, acalma, alegra.
Essas lembranças, que compartilho, me fazem feliz, apenas... por lembrar. Em momentos de muito cansaço ou de preocupação, são elas que me fortalecem, me animam e tornam o dia a dia mais fácil.
A poesia se esconde e por um tempo a prosa se mostra em lembranças e sensações. Neste espaço de prosa e verso, busco na memória as lembranças, as sensações e compartilho momentos vividos e pensados. Um outro rumo para a expressão, quem sabe, mais constante...
CORES
Verdes da Avenida Champs-Élysées em Paris
As cores da natureza sempre me impressionaram. Lembro-me de momentos intermináveis, na rede, na varanda da casa tão sonhada, de minha mãe, apenas a olhar o azul do céu e as nuvens que corriam, ora rápidas, ora lentas, em formas que a imaginação identificava.
Tardes inteiras de contemplação do azul, do branco, do dourado... O livro, deixado de lado, aguardava o reencontro com a leitora que, embevecida, esquecia enredos e apenas contemplava.
Até hoje o céu, seja ele azul, cinzento, ou negro, atrai meu olhar.
Em minhas viagens, as cores, não só da natureza, mas das criações do homem também me encantam e eu tento descrever àqueles que me rodeiam, as cores dos lugares em que estive, seja por breves momentos, seja por alguns dias...
E, sem dúvida é de Paris que vêm as lembranças coloridas mais fortes.
Os verdes de Paris!
São indescritíveis! Os jardins, em sua simetria, trazem tantas tonalidades de verde que é difícil de explicar. Vão do mais claro, esbranquiçado, ao mais escuro, terroso, verde negro. Caminhar por entre alamedas frescas e perfumadas revigora, acalma, alegra.
Essas lembranças, que compartilho, me fazem feliz, apenas... por lembrar. Em momentos de muito cansaço ou de preocupação, são elas que me fortalecem, me animam e tornam o dia a dia mais fácil.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

EU NATUREZA
Pés no chão, mãos na terra,
sou natureza,
identifico-me com o cosmo,
passado e futuro em mim,
no presente.
Sinto raízes em meus pés,
seiva corre em minhas veias,
sou parte do mundo,
sou todo, sou eu...
As dores sentidas, sinto-as na pele
rugosa em caule, macia em pétalas.
O vento e a chuva me fustigam
e eu sou ar e água,
sou tormenta e calmaria.
Eu e o mundo,
identificados, unidos, resumidos,
ser, universo,
sem fim.
Pés no chão, mãos na terra,
sou natureza,
identifico-me com o cosmo,
passado e futuro em mim,
no presente.
Sinto raízes em meus pés,
seiva corre em minhas veias,
sou parte do mundo,
sou todo, sou eu...
As dores sentidas, sinto-as na pele
rugosa em caule, macia em pétalas.
O vento e a chuva me fustigam
e eu sou ar e água,
sou tormenta e calmaria.
Eu e o mundo,
identificados, unidos, resumidos,
ser, universo,
sem fim.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Sem palavras
Ontem vi meu irmão chorar
e chorei junto,
sem lágrimas, ao seu lado,
sem nada dizer.
Senti a fragilidade humana
e a pequenez das palavras,
nada a dizer, tanto a sentir...
Hoje vi meu irmão sorrir
e sorri com ele.
Novamente nada foi dito,
a emoção se sente e compartilha
não há palavras para traduzir.
Ontem vi meu irmão chorar
e chorei junto,
sem lágrimas, ao seu lado,
sem nada dizer.
Senti a fragilidade humana
e a pequenez das palavras,
nada a dizer, tanto a sentir...
Hoje vi meu irmão sorrir
e sorri com ele.
Novamente nada foi dito,
a emoção se sente e compartilha
não há palavras para traduzir.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Entardecer de ócio
Aos meus amigos, a quem gostaria de oferecer uma tarde assim.
Todos deveriam ter o direito de desfrutar de um entardecer de ócio. Todos, sem exceção, de todas as cores, credos ou procedências, jovens, adultos, idosos, deveriam, por direito, usufruir da beleza do por do sol, em perfeita ociosidade.
Bons ou maus, não tão bons, nem tão maus, pobres e ricos, trabalhadores e proletários, comunistas, socialistas, imperialistas, capitalistas e todos os "istas" possíveis, nenhum deles seria privado do direito de contemplar, imóvel e em completo descanso, o róseo do céu, o vermelho do sol que se põe no horizonte.
E ainda todos aqueles que amam e que odeiam, que choram e que riem, seja por alegria, seja por tristeza, seja por inveja, seja por raiva, os sinceros e os falsos, os cínicos, os irônicos, os confiáveis e os amáveis: sim, todos eles deveriam ter esse direito e dele usufruir...
Seria um entardecer de plena paz: sem desejos nem anseios, sem planos e decisões, sem projetos, sem perspectivas: apenas o céu e o sol. Mas também não haveria mágoas ou tristezas, lembranças e saudades, dores e temores. Nada. Apenas a tarde.
E a tarde seria bela: o céu de um azul perfeito, algumas nuvens, por que não? Afinal é possível a magistral beleza de um céu em que as nuvens deixam escapar feixes de luz.
No horizonte, aos olhos extasiados, se mostraria o rosa, o lilás e o dourado, emoldurando o disco vermelho que se despede, aos poucos, prenunciando a noite.
A tarde seria também perfumada e sonora. Perfume de flores no ar, nada forte, nada intenso, nada que perturbasse o recolhimento e o prazer daqueles instantes em que o tempo deixou de existir. Sons de pássaros, em voos rápidos, aos pares ou em bandos, ou ainda solitários, completariam a festa dos sentidos, sons e aromas, cores e luz, perfeição.
E nesse entardecer de ócio, total desprendimento de tudo que parece ser tão importante: coisas, pessoas, ações, até o tempo pareceria imóvel: uma pausa, um hiato, um momento de puro deleite, de entrega e interação. Seriam todos apenas um: ser e natureza, integrados. Sem pressa, sem tempo, sem nada.
Apenas a tarde.
Aos meus amigos, a quem gostaria de oferecer uma tarde assim.
Todos deveriam ter o direito de desfrutar de um entardecer de ócio. Todos, sem exceção, de todas as cores, credos ou procedências, jovens, adultos, idosos, deveriam, por direito, usufruir da beleza do por do sol, em perfeita ociosidade.
Bons ou maus, não tão bons, nem tão maus, pobres e ricos, trabalhadores e proletários, comunistas, socialistas, imperialistas, capitalistas e todos os "istas" possíveis, nenhum deles seria privado do direito de contemplar, imóvel e em completo descanso, o róseo do céu, o vermelho do sol que se põe no horizonte.
E ainda todos aqueles que amam e que odeiam, que choram e que riem, seja por alegria, seja por tristeza, seja por inveja, seja por raiva, os sinceros e os falsos, os cínicos, os irônicos, os confiáveis e os amáveis: sim, todos eles deveriam ter esse direito e dele usufruir...
Seria um entardecer de plena paz: sem desejos nem anseios, sem planos e decisões, sem projetos, sem perspectivas: apenas o céu e o sol. Mas também não haveria mágoas ou tristezas, lembranças e saudades, dores e temores. Nada. Apenas a tarde.
E a tarde seria bela: o céu de um azul perfeito, algumas nuvens, por que não? Afinal é possível a magistral beleza de um céu em que as nuvens deixam escapar feixes de luz.
No horizonte, aos olhos extasiados, se mostraria o rosa, o lilás e o dourado, emoldurando o disco vermelho que se despede, aos poucos, prenunciando a noite.
A tarde seria também perfumada e sonora. Perfume de flores no ar, nada forte, nada intenso, nada que perturbasse o recolhimento e o prazer daqueles instantes em que o tempo deixou de existir. Sons de pássaros, em voos rápidos, aos pares ou em bandos, ou ainda solitários, completariam a festa dos sentidos, sons e aromas, cores e luz, perfeição.
E nesse entardecer de ócio, total desprendimento de tudo que parece ser tão importante: coisas, pessoas, ações, até o tempo pareceria imóvel: uma pausa, um hiato, um momento de puro deleite, de entrega e interação. Seriam todos apenas um: ser e natureza, integrados. Sem pressa, sem tempo, sem nada.
Apenas a tarde.
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