segunda-feira, 18 de junho de 2012

SEMPRE POESIA

A poesia, como a música, nos enleva, nos preenche, faz  com que, por momentos, vivamos uma outra realidade. Hoje, ao findar a tarde,  passei alguns momentos de enlevo saboreando as melodias entoadas pelos coralistas, no Encontro de Corais que aconteceu no Clube de Campo de Mogi das Cruzes.
Junto às emoções da música, a emoção do encontro com amigos, com pessoas que admiro e que fazem ou fizeram parte de minha história de vida.
Agora, passeando pelos blogues que sigo, e outros pelos quais perambulo,  encontro imagens e textos que trazem mais beleza e harmonia para este final de domingo (ou talvez início de segunda feira...)
Atrevo-me então a transcrever um poema de Neruda, que encontrei no blog de Catarina: "Contempladora Ocidental" ( http://contempladoraocidental.blogspot.com.br/ ) , publicado há alguns anos.
Pablo Neruda me encanta sempre pela sonoridade de seus versos,  pelas imagens construídas, pela profundo olhar com que viu e nos faz ver a vida...


Casa
Tal vez ésta es la casa en que viví
cuando yo no existí ni había tierra,
cuando todo era luna o piedra o sombra,
cuando la luz inmóvil no nacía.
Tal vez entonces esta piedra era
mi casa, mis ventanas o mis ojos.
Me recuerda esta rosa de granito
algo que me habitaba o que habité,
cueva o cabeza cósmica de sueños,
copa o castillo o nave o nacimiento.
Toco el tenaz esfuerzo de la roca,
su baluarte golpeado en la salmuera,
y sé que aquí quedaron grietas mías,
arrugadas sustancias que subieron
desde profundidades hasta mi alma,
y piedra fui, piedra seré, por eso
toco esta piedra y para mí no ha muerto:
es lo que fui, lo que seré, reposo
de un combate tan largo como el tiempo.

Pablo Neruda

sábado, 9 de junho de 2012

MARCAS



É inevitável.
Sempre deixamos nossa marca no tempo:
leve, profunda, muitas vezes invisível...
Mas lá está ela, inexoravelmente...



                                                                       Portão em Atibaia, SP
... o que você demora
é o que o tempo leva...
... na cinza das horas


                                                                Vambora - Adriana Calcanhoto (Youtube)

PASSADO PRESENTE


Há alguns anos, desenvolvendo um projeto de Memórias do Centro Histórico de Mogi das Cruzes, com alunos do Colégio Santa Mônica, organizamos uma exposição com fotos de alunos. Como introdução, o texto que reproduzo:

                                     Telhados da Igreja e Convento de N. Sra. do Carmo em Mogi das Cruzes

PASSADO PRESENTE

O passado está presente em nós.
Acompanha-nos em forma de carinho de avós,
em forma de releituras clássicas,
em forma de ruas estreitas, casarões, igrejas centenárias...

Não há como negar:
somos passado e presente transpondo o tempo,
em busca de um futuro desconhecido.

Assim, é preciso treinar o olhar:
enxergar o antigo não como o descartável,
mas como o alicerce e modelo de novas estruturas;
não como o feio, mas como o belo de uma época específica,
não como algo sem valor, mas sim como um precioso registro do tempo.

E mais: é preciso treinar o olhar jovem, o olhar adolescente,
a fim de que perceba e valorize seu passado,
possa compreender seu presente
e construir seu futuro.

Que todos, jovens e adultos,
 possam ver sempre um
PASSADO...PRESENTE!

                                                               

segunda-feira, 21 de maio de 2012

PAZ

As três idades do homem - Ticiano (Tiziano Vezellio) 1512
Galeria Nacional de Escócia


Céu de Ticiano,
Mescla de cinza, azul e rosa.
Brisa leve, estremecendo hibiscos,
Verde, branco intenso, vermelho ainda incipiente...
A água que nutre e refresca sussurra no entardecer.
Em meio a tudo isso, a vida parece estancar,
E os minutos se arrastam como horas.

Impregnada de natureza e de beleza,
Absorvo esse hiato no tempo,
Identifico-me, entrego-me.
Como a água ele me nutre...
É outono, é entardecer, é vida,
É Paz!




Casa no campo - Elis Regina
Autor Zé Rodrix

segunda-feira, 14 de maio de 2012

CONTINHO

Pergunto-me por que demorei tanto em postar alguma coisa... Falta de tempo? Falta de idéias? Falta de inspiração? Não sei, um pouco de tudo e mais. Respeito demais quem me lê para escrever qualquer coisa, apenas por escrever...
Aventuro-me hoje a colocar um continho escrito já há algum tempo, que segue o mote da brevidade. Este, mais lacônico do que o primeiro que escrevi, tem em sua objetividade uma meta a cumprir. Excluir tudo o que seja excesso.
Apresento então este continho intitulado:

Em uma certa noite de verão


Disse Tcheckov que a brevidade é a maior das virtudes. Disse também que em contos, mais vale dizer de menos que de mais. Assim, compreendam, esta brevidade, intencional, permite que construam a sua vontade, os detalhes que criam o desenrolar dos fatos, bem como as possíveis implicações que possam acarretar.
Vamos, pois aos fatos.
Por trás da vidraça fechada, o gato chora por liberdade em lamentos profundos.
Na cama virginal, a menina sonha sonhos eróticos, entre lençóis.
Na rua estreita, deserta a esta hora, o vento morno de verão, carrega folhas e poeira.
Alerta, o gato interrompe o lamento, orelhas em pé.
Ao assobio conhecido, a menina desperta e, rápida, deixa os lençóis e o pijama, já vestida em jeans e camiseta. Rapidamente, pela janela, agora aberta, passa o corpo esbelto que se acomoda na garupa da moto.
Parte a moto e o gato se esgueira, aproveitando o vão. Livre!
Livre ele, em muros e telhados. Livre ela, em um motel próximo.
A madrugada traz de volta os dois fugitivos e os primeiros raios de sol encontram a menina adormecida na cama que deixou de ser virginal.
O gato, esse dorme enroscado no tapete.
Tudo volta à normalidade, à rotina barulhenta de todo dia.
Tudo parece igual. Apenas parece.
Esses os fatos. E dessa forma, compacta e, espero, clara, deixo a quem lê, a tarefa de criar as conseqüências e os desdobramentos do acontecido em uma certa noite de verão...

                                              Papel de parede - Google Imagens






segunda-feira, 16 de abril de 2012

OUTONO

Alguns amigos relataram problemas de visualização dos textos.Como leiga que sou em coisas de internet, fui em busca de respostas e tento agora um novo layout para verificar se o problema está resolvido.
Para aproveitar, rendo-me à nova estação e trago folhas de outono para enfeitar a página. Lembro-me também de uma melodia antiga, cantada por minha irmã: Concerto de outono. Talvez os que me lêem não se recordem dela, por isso trago a letra, bela e singela.
Para concluir, a melodia eterna de Yves Montand: Les feuilles Mortes.
                       
Concerto de Outono
Carlos Galhardo
 
Olhando as folhas mortas
Sopradas pelo vento
Eu sinto o frio da solidão...
Nas nuvens tão escuras
Se espelha meu tormento
Não tem mais luz
Meu pensamento
 
Eu sinto então vibrando
No céu sem claridade
A melodia que me traz a ilusão
Do início de um concerto
Dizendo ao coração
O outono está voltando
Quem amo não...
 
 

terça-feira, 10 de abril de 2012

SOBRE HUMANIDADE

Hoje, por diversas vezes, tive oportunidade de refletir sobre dois conceitos que atualmente parecem distintos: o conceito do direito, e o conceito de humanidade. Nesta terra em que as vantagens parecem se sobrepor aos direitos, em que o certo e o errado parecem borrões indistintos que se mesclam, reservar-se o direito de ser justo é  uma qualidade pouco percebida.
Ou ainda, lutar  pelos direitos dos menos favorecidos, dos menos esclarecidos, torna-se  a mola que impulsiona bem intencionados os quais dedicam sua vida e sua carreira em favor do outro.
Mas, muitas vezes, a noção do direito, principalmente do direito adquirido subverte  o conceito primeiro e sufoca conceitos outros como humanidade, fraternidade, cooperação...
Estar em seu direito significa não olhar o outro com olhos de humanidade?
Estar em seu direito significa tornar-se insensível à dor alheia?
Obviamente, não me refiro a conchavos, a subversões da lei ou infrações camufladas.
Refiro-me, sim ao transcender a condição do direito adquirido, o que  seria abdicar do mesmo por uma causa nobre, por um ato de fraternidade, por um olhar mais humano...
Essas reflexões me deixaram triste por pereceber que há uma nova geração que se fecha para o outro, em busca de "seus direitos" e abriram-me os olhos para a importância de levar aos jovens a discussão sobre o direito e a humanidade. 
Ainda há tempo.
Ou não?



Para fechar, sem deixar de refletir, um pouco de Lenine: Paciência