sábado, 13 de outubro de 2012

SUPERAÇÃO

    Nesta quarta feira, tive reafirmada minha convicção de que uma escola, seja ela de que nível for, tem por obrigação,  oferecer a seus alunos o contato com a arte, a cultura, tanto a popular quanto a erudita. Muitas vezes relegado, em função de conteúdos, de informações, de avaliações sem fim, o contato com a arte oferece uma visão diferenciada do materialismo consumista que nos cerca.
    A emoção que transparecia no olhar da professora e dos alunos do curso de Letras da UNISUZ, que tiveram o privilégio de ver, ouvir e sentir a música do maestro João Carlos Martins, acompanhado da Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi e dos alunos da escola Jussara Feitosa Domschke, de Suzano, dizia muito mais do que as palavras que brotavam ainda ofegantes pelos momentos vivenciados.


João Carlos Martins e Orquestra Filarmônica Bachiana - SESI
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   "Música se faz com o coração" diz o Maestro e continua "cada vez que a gente aperta uma tecla é porque nela colocamos nossa alma e nosso coração". O exemplo de vida desse virtuose do piano que superou sua dificuldade,  tornando-se maestro e criando a Orquestra Filarmônica Bachiana,  a Bachiana Jovem e o projeto A música venceu, em escolas de ensino fundamental, emociona e nos faz acreditar que um mundo melhor ainda é possível.

    Para aqueles que desejem conhecer mais a respeito de João Carlos Martins trago uma reportagem que conta um pouco de sua vida.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

QUINTAL

Meu quintal está em fase de transição. 
Plantadas há mais de 30 anos, a dracena e a primavera se foram para dar lugar a um novo ambiente, necessário, mais aprazível, mais funcional...
O caule imenso da dracena consumiu uma tarde de trabalho dos dois jardineiros e com as plantas se foi uma etapa deste quintal, que viu meus filhos crescerem, ali brincando, jogando bola, tomando sol. 
Hoje, meus netos observam os pedreiros que erguem o novo espaço, atentos às mudanças, observando o ninho da rolinha, que, preservado dentro de uma lata, resiste ao movimento diário.




Seria tão bom se pudéssemos,  em nossa vida, fazer uma reforma assim tão grande, derrubando conceitos e preconceitos, arrancando o que machuca e perturba, construindo novas ideias, trilhando novos caminhos.






Comecei pelo quintal.Quem sabe, outras reformas estejam por vir...






Fotos: Flores do meu quintal.







sábado, 22 de setembro de 2012

TEMPO

Sem tempo para escrever... Sem tempo para criar... Sem tempo para sonhar...
O momento é de trabalho, de planos, de prazos, de tarefas a cumprir, enfim, a rotina de quem tem sob sua responsabilidade a gestão de um, ou melhor, dois cursos acadêmicos.
Peço desculpas aos que me seguem pela minha ausência nesses dias, em que as coisas "se embolam" como se diz na linguagem informal, por aqui.
Para me redimir, trago hoje três pérolas: Caetano Veloso,  Antonio Cicero e Vermmeer. O primeiro com a doce "Você não me ensinou a te esquecer", de Fernando Mendes;  o segundo permitindo que se reflita sobre guardar e perder  e o terceiro apenas para o prazer do olhar.

Caetano Veloso
Você não em ensinou a te esquecer - Fernando Mendes
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GUARDAR

Antonio Cícero

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma. 
Em cofre se perde a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, 
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve,  por isso se diz, por isso se publica.
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

MORRICONI, ITALO. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001



Moça com brinco de pérola
Johannes Vermeer
Google Imagens


domingo, 2 de setembro de 2012

O DISCURSO DO REI

Acabo de assistir ao filme "O discurso do rei", direção de Tom Hooper e com interpretação magistral de Colin Firth. Merecido Oscar para o ator, que fez com que nos angustiássemos a cada palavra a ser dita.
Como professora -  embora não mais em sala de aula - fico perguntando a mim mesma se todos temos consciência de nosso papel, enquanto formadores de leitores/escritores/falantes...
Uma palavra, um gesto, uma expressão podem tanto! Podem incentivar ou destruir, construir ou fazer desmoronar sonhos, ideais, planos. 
Este não é o lugar nem o momento para soluções didáticas ou pedagógicas, mas apenas para a menção rápida ao problema, que poderá levar, ou não, à reflexão.
Fica apenas a lembrança do filme e das palavras do rei:
Eu tenho uma voz!


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E é com orgulho que recebo o convite para a premiação de nosso ex aluno, hoje licenciado em Letras pela UNISUZ, Marcos Vinícius Pereira, que teve seu poema Estrangeiro de mim mesmo, contemplado com o primeiro lugar no 8º Concurso Literário Cora Coralina, de Suzano. 
Parabéns, Marcos Vinícius!


FOTO UNISUZ 
SIMPÓSIO DE LETRAS -  SIMPOL 2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

SEM PALAVRAS

Quantas vezes nos quedamos sem palavras diante da dor do outro.... Quantas vezes queremos a palavra certa, a frase oportuna e permanecemos  silenciosos, sem nada dizer... Compartilhamos o sentir, esperando que o outro perceba nossos sentimentos.
As linhas abaixo retratam um momento, vivido há alguns anos, em que nada pude dizer, apenas sentir...


A UM AMIGO

Sinto no peito
doer a dor do amigo,
que apaga o sorriso
sempre companheiro.

Como lhe dizer, amigo,
que me sinto triste por vê-lo sofrer?

Saiba, companheiro,
já ouvi dizer alguém
que na vida tudo passa
e as dores passam também...

E nestes mal traçados versos
sem rima, descompassados,
eu peço a Deus que o faça
mais feliz,
para que assim eu possa
ser mais feliz também.


Para embalar os sentidos, ninguém melhor do que Piazzola, interpretado por Yo Yo Ma. 




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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PARA OS QUE AMAM DRUMMOND: OFEREÇO ADÉLIA

COM LICENÇA POÉTICA

                                  Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

PRADO, Adélia. COM LICENÇA POÉTICA. In: MORICONI, Italo. OS CEM MELHORES POEMAS BRASILEIROS DO SÉCULO.  Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.p.247.





  

Poema de Sete Faces - Carlos Drummond de Andrade
Voz: Paulo Autran
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domingo, 29 de julho de 2012

PALAVRAS ESPARSAS

     Mexo em meus guardados e encontro, em papéis dobrados, ou no verso de calendários, pequenos textos escritos em momentos de espera, de descanso, de viagem, em que a inspiração veio e transbordou em forma de palavras...
     Passo a transcrever neste espaço, textos que surgiram a partir de situações vividas, algumas alegres, outras tristes, de esperança ou de mágoa.      Afinal, isso não é viver? Momentos que se sucedem, sensações, sentimentos, muitas vezes esquecidos ou nem ao menos percebidos.
     Aqui vão portanto algumas destas linhas, traçadas em uma folha  que o tempo amarelou.

     ADEUS

     Todo dia é dia
     de dizer Adeus!
     Todo tempo é tempo 
     de Agradecer!
     É preciso, então,
     não perder o tempo
     de agradecer,
     antes que o dia chegue
     de dizer
     Adeus...



Edu Lobo: Pra dizer  Adeus
Edu Lobo e Torquato Neto
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