Um espaço para a prosa e a poesia de todo dia, um espaço para os textos que amamos, os textos que produzimos, os textos que geram outros textos...
Viver em prosa e poesia, sem perder a ingenuidade e a utopia, mas de olhos abertos para o que se mostra, para o que é presente, para o que machuca e para o que se sente.
É de Marcelo Gleiser o título acima. E é dele o trecho escolhido para hoje.
A natureza jamais vai deixar de nos surpreender. As teorias de hoje, das quais somos justamente orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje certamente serão pobres aproximações para os modelos do futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton. Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim como nossos antepassados, estaremos sempre buscando compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim, compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre o mundo a nossa volta
GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.
E ora aceito, ora luto, cada vez mais forte, cada vez mais lúcida.
Foto: Porta em Toledo, Espanha: com autorização de Ana do blog (In) Cultura
A imagem, tão bela e sugestiva, foi o mote que inspirou o texto acima.
Foi tomada por empréstimo de Ana, do blog (In) Cultura: (http://sonhar1000.blogspot.com.br) que acompanho com prazer, pois concretiza realmente o que se propõe: socializar a Cultura e, por que não, fazer "sonhar mil..."
Sua
colcha de retalhos. A lembrança desse texto, que foi tema de um espetáculo de ballet, me trouxe ecos de coisas nossas que, como a colcha de retalhos, compõem nossa identidade. Identidade que se reconhece na música de Villa Lobos, nas palavras de Ferreira Goulart e na voz de Ney Matogrosso.
Nesta quarta feira, tive reafirmada minha convicção de que uma escola, seja ela de que nível for, tem por obrigação, oferecer a seus alunos o contato com a arte, a cultura, tanto a popular quanto a erudita. Muitas vezes relegado, em função de conteúdos, de informações, de avaliações sem fim, o contato com a arte oferece uma visão diferenciada do materialismo consumista que nos cerca.
A emoção que transparecia no olhar da professora e dos alunos do curso de Letras da UNISUZ, que tiveram o privilégio de ver, ouvir e sentir a música do maestro João Carlos Martins, acompanhado da Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi e dos alunos da escola Jussara Feitosa Domschke, de Suzano, dizia muito mais do que as palavras que brotavam ainda ofegantes pelos momentos vivenciados.
João Carlos Martins e Orquestra Filarmônica Bachiana - SESI
Youtube
"Música se faz com o coração" diz o Maestro e continua "cada vez que a gente aperta uma tecla é porque nela colocamos nossa alma e nosso coração". O exemplo de vida desse virtuose do piano que superou sua dificuldade, tornando-se maestro e criando a OrquestraFilarmônica Bachiana, a Bachiana Jovem e o projeto A música venceu, em escolas de ensino fundamental, emociona e nos faz acreditar que um mundo melhor ainda é possível.
Para aqueles que desejem conhecer mais a respeito de João Carlos Martins trago uma reportagem que conta um pouco de sua vida.
Meu quintal está em fase de transição. Plantadas há mais de 30 anos, a dracena e a primavera se foram para dar lugar a um novo ambiente, necessário, mais aprazível, mais funcional... O caule imenso da dracena consumiu uma tarde de trabalho dos dois jardineiros e com as plantas se foi uma etapa deste quintal, que viu meus filhos crescerem, ali brincando, jogando bola, tomando sol. Hoje, meus netos observam os pedreiros que erguem o novo espaço, atentos às mudanças, observando o ninho da rolinha, que, preservado dentro de uma lata, resiste ao movimento diário.
Seria tão bom se pudéssemos, em nossa vida, fazer uma reforma assim tão grande, derrubando conceitos e preconceitos, arrancando o que machuca e perturba, construindo novas ideias, trilhando novos caminhos.
Comecei pelo quintal.Quem sabe, outras reformas estejam por vir...
Sem tempo para escrever... Sem tempo para criar... Sem tempo para sonhar...
O momento é de trabalho, de planos, de prazos, de tarefas a cumprir, enfim, a rotina de quem tem sob sua responsabilidade a gestão de um, ou melhor, dois cursos acadêmicos.
Peço desculpas aos que me seguem pela minha ausência nesses dias, em que as coisas "se embolam" como se diz na linguagem informal, por aqui.
Para me redimir, trago hoje três pérolas: Caetano Veloso, Antonio Cicero e Vermmeer. O primeiro com a doce "Você não me ensinou a te esquecer", de Fernando Mendes; o segundo permitindo que se reflita sobre guardar e perder e o terceiro apenas para o prazer do olhar.
Caetano Veloso
Você não em ensinou a te esquecer - Fernando Mendes
Youtube
GUARDAR
Antonio Cícero
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre se perde a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica.
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
MORRICONI, ITALO. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001