domingo, 9 de dezembro de 2012

NATAL

Gosto do Natal.
Gosto desse tempo de gente que se abraça e sorri, de gente apressada que passa nas ruas, carregando pacotes...
Gosto de ver olhos arregalados admirando luzes e cores, de ouvir sons harmoniosos, das vozes infantis ou adultas entoando canções tradicionais, de sentir o aroma do pinheiro que enfeita a sala...
Gosto de desembalar os objetos que enfeitarão a casa, cada um com sua história, sua procedência, repletos de afetividade, de lembranças de lugares próximos e distantes, de pessoas queridas que aqui estão ou que já não se encontram entre nós....
Gosto preparar listas de lembranças, tentando descobrir o que melhor cabe a cada um daqueles que fazem parte de minha vida, de minha história, de meu cotidiano...
Gosto de abrir a casa, na véspera do Natal, as luzes da árvore acesas, o ar quente e abafado entrando pelas janelas, a comida, feita com carinho, aguardando no fogão a hora de ir à mesa...
Gosto de ver a família chegando, perfumada, bonita, as crianças ansiosas pelos presentes, os adultos  se acomodando, lembrando outros natais, memórias afetivas, expressões de carinho...
Gosto da emoção que invade, na oração conjunta em que lembramos os nossos queridos que já se foram, em que agradecemos o que recebemos, o que partilhamos...
Gosto do Natal e de tudo aquilo que ele provoca no ser humano: a fraternidade, a solidariedade, o desprendimento, a compreensão, a reconciliação...

Que o Natal de todos seja iluminado, não apenas pelas luzes que acendemos, mas por todos os bons momentos, repletos de alegrias e partilhamentos,  que iluminam e aquecem nossa vida. 


Luz eterna, é Natal, tela  de  Elvio Santiago
(http://diadeestilo.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Tela-Luz-Eterna-%C3%A9-Natal-baixa.jpg)

domingo, 25 de novembro de 2012

VIAJANTES DO TEMPO PRESENTE

Quem somos nós, viajantes do tempo presente?

COGITO

Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.


NETTO, Torquato. COGITO. IN: MORICONI, Italo. Os cem melhores poemas brasileiros
 do século. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.





Foto: Relógios à frente da Estação de Saint Lazare. Paris.

domingo, 11 de novembro de 2012

A DANÇA DO UNIVERSO

É de Marcelo Gleiser o título acima. E é dele o trecho escolhido para hoje. 

A natureza jamais vai deixar de nos surpreender. As teorias de hoje, das quais somos justamente orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje certamente serão pobres aproximações para os modelos do futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton. Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim como nossos antepassados, estaremos sempre buscando compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim, compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre o mundo a nossa volta

GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.
São Paulo: Campanhia das Letras, 2006.




Sinais - Zé Ramalho
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domingo, 28 de outubro de 2012

PORTA ABERTA

Abro minha porta para o sol da manhã.
E ele me traz sonoridades aladas,
Perfume de flores, vida em movimento.

Abro minha porta para a aragem do entardecer.
E ela me traz risos de crianças que brincam,
murmúrio de riachos cantantes.

Abro minha porta para a noite aveludada.
E ela me traz brilhos de estrelas
e aromas adocicados.

Abro minha porta para a luz.
E ela invade a sombra confortável
que me cerca e me protege.

Abro minha porta para a tempestade.
E ela me traz o choro dos desabrigados
e o medo do desconhecido.

Abro minha porta para o grito das ruas.
E ela me traz a realidade que machuca
e o que de feio existe.

Apesar de tudo, minha porta estará sempre aberta:
para o bem, o belo, o seguro,
e também para o que foge a uma vida ideal.

Abro minha porta para a vida,
de olhos bem abertos para o que virá.
E ora aceito, ora luto,  cada vez mais forte, cada vez mais lúcida.


Foto: Porta em Toledo, Espanha: com autorização de Ana do blog (In) Cultura

A imagem, tão bela e sugestiva, foi o mote que inspirou o texto acima.
Foi tomada por empréstimo de Ana, do blog  (In) Cultura: (http://sonhar1000.blogspot.com.br) que acompanho com prazer, pois concretiza realmente o que se propõe: socializar a Cultura e, por que não, fazer "sonhar mil..."

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

COLCHA DE RETALHOS


Recorte com cuidado
Pedacinhos coloridos de emoção;
Toque cada um suavemente:
Sinta a textura,
A maciez, a sensação,
O carinho que neles se esconde.
Olhe, com olhos bem abertos,
Para a vida, para as paixões,
Para as mágoas, quem sabe...
Junte um a um, desfiando a paciência
Do compor, dispor e recompor...
No enlevo do criar,
Perceba a harmonia que se forma:
Encontro de carinhos, de mãos entrelaçadas,
De cores e de traços
Tão únicos, tão completos.
Conjunto fragmentado
Que se faz unidade.
Não tente entender, apenas olhe,
Apenas sinta, apenas viva:
Sua colcha de retalhos.


A lembrança desse texto, que foi tema de um espetáculo de ballet, me trouxe ecos de coisas nossas que, como a colcha de retalhos, compõem nossa identidade. 
Identidade que se reconhece na música de Villa Lobos, nas palavras de Ferreira Goulart e na voz de Ney Matogrosso. 




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sábado, 13 de outubro de 2012

SUPERAÇÃO

    Nesta quarta feira, tive reafirmada minha convicção de que uma escola, seja ela de que nível for, tem por obrigação,  oferecer a seus alunos o contato com a arte, a cultura, tanto a popular quanto a erudita. Muitas vezes relegado, em função de conteúdos, de informações, de avaliações sem fim, o contato com a arte oferece uma visão diferenciada do materialismo consumista que nos cerca.
    A emoção que transparecia no olhar da professora e dos alunos do curso de Letras da UNISUZ, que tiveram o privilégio de ver, ouvir e sentir a música do maestro João Carlos Martins, acompanhado da Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi e dos alunos da escola Jussara Feitosa Domschke, de Suzano, dizia muito mais do que as palavras que brotavam ainda ofegantes pelos momentos vivenciados.


João Carlos Martins e Orquestra Filarmônica Bachiana - SESI
Youtube


   "Música se faz com o coração" diz o Maestro e continua "cada vez que a gente aperta uma tecla é porque nela colocamos nossa alma e nosso coração". O exemplo de vida desse virtuose do piano que superou sua dificuldade,  tornando-se maestro e criando a Orquestra Filarmônica Bachiana,  a Bachiana Jovem e o projeto A música venceu, em escolas de ensino fundamental, emociona e nos faz acreditar que um mundo melhor ainda é possível.

    Para aqueles que desejem conhecer mais a respeito de João Carlos Martins trago uma reportagem que conta um pouco de sua vida.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

QUINTAL

Meu quintal está em fase de transição. 
Plantadas há mais de 30 anos, a dracena e a primavera se foram para dar lugar a um novo ambiente, necessário, mais aprazível, mais funcional...
O caule imenso da dracena consumiu uma tarde de trabalho dos dois jardineiros e com as plantas se foi uma etapa deste quintal, que viu meus filhos crescerem, ali brincando, jogando bola, tomando sol. 
Hoje, meus netos observam os pedreiros que erguem o novo espaço, atentos às mudanças, observando o ninho da rolinha, que, preservado dentro de uma lata, resiste ao movimento diário.




Seria tão bom se pudéssemos,  em nossa vida, fazer uma reforma assim tão grande, derrubando conceitos e preconceitos, arrancando o que machuca e perturba, construindo novas ideias, trilhando novos caminhos.






Comecei pelo quintal.Quem sabe, outras reformas estejam por vir...






Fotos: Flores do meu quintal.