terça-feira, 22 de janeiro de 2013

DRUMMOND: MEU POETA PREDILETO

Dentre os vários poetas brasileiros que admiro, Drummond é o meu predileto. Sua poesia direta, mas profunda, seu lirismo despido de pieguice, seu olhar e o recriar da vida e do mundo me fascinam. Não me canso de ler e reler sua obra. 

Há sempre um poeta que nos toca mais, com seus versos.
Esse, para mim, é Carlos Drummond de Andrade.

CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO

Carlos Drummond de Andrade

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como doi!

ANDRADE, Carlos Drummond de. In: MORRICONI, Italo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.

FOTO DE CASARIO EM ITABIRA - MINAS GERAIS
GOOGLE IMAGENS



TRECHOS DE POEMAS DE DRUMMOND
PROGRAMA ENTRELINHAS
TV CULTURA - SÃO PAULO
YOUTUBE

sábado, 5 de janeiro de 2013

ETERNO RECOMEÇAR

A Poesia está em nossa vida
como a luz que entra pela janela aberta, como o céu azul dourado do anoitecer, como a andorinha que voa ligeira nas tardes de verão, como o aroma adocicado da dama-da-noite, como o som das águas que batem nas pedras do rio...
Tudo está aí, sempre.
É preciso, no entanto, saber ver, sentir, ouvir...


UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO

Manoel de Barros



No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio.

BARROS, Manoel de. Uma didática da invenção. In: MORICONI, Italo. Os cem melhores poemas brasileiros do século.
 Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.



REVOADA DE ANDORINHAS


Google imagens: danielthame.blogspot.com/2011



ANDORINHA - de Vitor Maia

Vitor e Renan no YouTube 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A VOZ DO NATAL

   Sábado vivi, juntamente com um grande número de pessoas, momentos de emoção e beleza, na apresentação das crianças do Colégio Santa Mônica de Mogi das Cruzes, nas janelas do prédio iluminado.
   Até mesmo a chuva que caía parou para ouvir as crianças entoando músicas natalinas, de louvor ao Divino Espírito Santo e outras mais, sempre harmoniosas...
   As mãozinhas enluvadas, que traduziam a letra das músicas na Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, o balançar de corações, guirlandas, bandeiras do Divino e  guarda-chuvas ornamentados de fitas coloridas, acompanhados de luzes e cores, faziam brotar lágrimas e abrir sorrisos embevecidos em pais, avós, irmãos, enfim, todos aqueles que foram ver o coral do Santa Mõnica se apresentar sob a regência da Professora Francine Martins.
   Momentos como esse fazem desse tempo, como já disse anteriormente, um tempo especial.

       Foto copiada da página da Professora Francine, no Facebook

Lembro-me agora dos versos da antiga canção de Orestes Barbosa:

 Noite azul, sem igual, 
        Deus nos dê um Feliz Natal!
        Nosso lar está cheio de luz,
       Paz na terra, nasceu Jesus!


domingo, 9 de dezembro de 2012

NATAL

Gosto do Natal.
Gosto desse tempo de gente que se abraça e sorri, de gente apressada que passa nas ruas, carregando pacotes...
Gosto de ver olhos arregalados admirando luzes e cores, de ouvir sons harmoniosos, das vozes infantis ou adultas entoando canções tradicionais, de sentir o aroma do pinheiro que enfeita a sala...
Gosto de desembalar os objetos que enfeitarão a casa, cada um com sua história, sua procedência, repletos de afetividade, de lembranças de lugares próximos e distantes, de pessoas queridas que aqui estão ou que já não se encontram entre nós....
Gosto preparar listas de lembranças, tentando descobrir o que melhor cabe a cada um daqueles que fazem parte de minha vida, de minha história, de meu cotidiano...
Gosto de abrir a casa, na véspera do Natal, as luzes da árvore acesas, o ar quente e abafado entrando pelas janelas, a comida, feita com carinho, aguardando no fogão a hora de ir à mesa...
Gosto de ver a família chegando, perfumada, bonita, as crianças ansiosas pelos presentes, os adultos  se acomodando, lembrando outros natais, memórias afetivas, expressões de carinho...
Gosto da emoção que invade, na oração conjunta em que lembramos os nossos queridos que já se foram, em que agradecemos o que recebemos, o que partilhamos...
Gosto do Natal e de tudo aquilo que ele provoca no ser humano: a fraternidade, a solidariedade, o desprendimento, a compreensão, a reconciliação...

Que o Natal de todos seja iluminado, não apenas pelas luzes que acendemos, mas por todos os bons momentos, repletos de alegrias e partilhamentos,  que iluminam e aquecem nossa vida. 


Luz eterna, é Natal, tela  de  Elvio Santiago
(http://diadeestilo.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Tela-Luz-Eterna-%C3%A9-Natal-baixa.jpg)

domingo, 25 de novembro de 2012

VIAJANTES DO TEMPO PRESENTE

Quem somos nós, viajantes do tempo presente?

COGITO

Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.


NETTO, Torquato. COGITO. IN: MORICONI, Italo. Os cem melhores poemas brasileiros
 do século. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.





Foto: Relógios à frente da Estação de Saint Lazare. Paris.

domingo, 11 de novembro de 2012

A DANÇA DO UNIVERSO

É de Marcelo Gleiser o título acima. E é dele o trecho escolhido para hoje. 

A natureza jamais vai deixar de nos surpreender. As teorias de hoje, das quais somos justamente orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje certamente serão pobres aproximações para os modelos do futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton. Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim como nossos antepassados, estaremos sempre buscando compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim, compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre o mundo a nossa volta

GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.
São Paulo: Campanhia das Letras, 2006.




Sinais - Zé Ramalho
Youtube




domingo, 28 de outubro de 2012

PORTA ABERTA

Abro minha porta para o sol da manhã.
E ele me traz sonoridades aladas,
Perfume de flores, vida em movimento.

Abro minha porta para a aragem do entardecer.
E ela me traz risos de crianças que brincam,
murmúrio de riachos cantantes.

Abro minha porta para a noite aveludada.
E ela me traz brilhos de estrelas
e aromas adocicados.

Abro minha porta para a luz.
E ela invade a sombra confortável
que me cerca e me protege.

Abro minha porta para a tempestade.
E ela me traz o choro dos desabrigados
e o medo do desconhecido.

Abro minha porta para o grito das ruas.
E ela me traz a realidade que machuca
e o que de feio existe.

Apesar de tudo, minha porta estará sempre aberta:
para o bem, o belo, o seguro,
e também para o que foge a uma vida ideal.

Abro minha porta para a vida,
de olhos bem abertos para o que virá.
E ora aceito, ora luto,  cada vez mais forte, cada vez mais lúcida.


Foto: Porta em Toledo, Espanha: com autorização de Ana do blog (In) Cultura

A imagem, tão bela e sugestiva, foi o mote que inspirou o texto acima.
Foi tomada por empréstimo de Ana, do blog  (In) Cultura: (http://sonhar1000.blogspot.com.br) que acompanho com prazer, pois concretiza realmente o que se propõe: socializar a Cultura e, por que não, fazer "sonhar mil..."