sábado, 18 de maio de 2013

DIVINO

      
         Minha cidade, centenária, comemora seus santos de forma festiva. Iniciam-se em abril as festas, as quermesses, as procissões, uma reunião de devotos, cidadãos conhecidos e desconhecidos, que se unem para louvar e agradecer dons e proteção recebida. 
      Começamos, se não me engano, com a Festa de São Benedito, que tem história interessante e merece uma postagem especial, seguimos com São José Operário, vivemos agora, neste mês de maio,  a Festa em louvor ao Divino Espírito Santo. Ainda em maio,  a festa de Santa Rita de Cássia, em junho os Santos Juninos: Santo Antonio, São João e São Pedro e finalmente, em julho, Sant'Ana, padroeira da cidade.
      O ponto alto é, com certeza a Festa do Divino, comemorada há 400 anos, com grande aparato e organização.Atrai até mesmo turistas, para uma cidade em que o turismo não é o forte. Nesses dias de festa, a quermesse é imensa, com quitutes usuais e típicos, como o Afogado, um caldo de carne com legumes e o Tortinho, bolinho de farinha de mandioca, com recheio de carne moída.
      Mas o que fica mesmo dessa festa toda, é a emoção do povo. As lágrimas dos que carregam bandeiras vermelhas, que contagiam a quem apenas acompanha e observa; as orações emocionadas de pessoas de todas as idades e condições sociais, as mãos elevadas em prece, os olhares.
      Uma energia estranha e poderosa nos invade ao percorrer, cantando e rezando, as ruas da cidade, adormecidas ainda.  Ao acompanhar a Alvorada, antes do nascer do sol, nos sentimos parte de algo maior, uma irmandade na fé, nas raízes, nas origens.
      Mais que uma manifestação folclórica de minha cidade, a festa do Divino Espírito Santo resgata o homem em sua identificação com sua terra, seu semelhante e sua fé.


Olga Duarte Nóbrega 
Pintura para cartaz da Festa do Divino de Mogi das Cruzes - 2013
Google Imagens


"Os devotos do Divino vão abrir sua morada
Pra bandeira do Divino ser bem-vinda, ser louvada
[...]
Que o perdão seja sagrado, que a fé seja infinita,
Que o homem seja livre e a justiça sobreviva"
                                                      (Ivan Lins)



A bandeira do Divino
Ivan Lins
Youtube


terça-feira, 14 de maio de 2013

TARDES DE ABRIL

O céu de um azul escandalosamente puro
invade os olhos, incorpora, aquece a alma.
A aragem é fria
e prenuncia uma noite de fartas cobertas
e  amores aquecidos.
Não há resquício da euforia do verão,
de corpos suados e noites festivas:
O que fica é a delicadeza do outono
E o esforço do sol tentando aquecer a tarde fria.
Tardes de abril!
Despertam a alegria suave
da vida serena 
sem grandes arroubos ou  emoções intensas
Um hiato entre o frio do inverno e o calor do verão.
Lembranças de outras tardes,
de outros azuis
povoam meus olhos e meus pensamentos.
Nesta tarde de outono
uma alegria mansa e saborosa
perfuma meus passos, invade meus sentidos
e a vida segue sem sobressaltos,
construindo caminhos, 
em Paz.


Jardim dos Pinhais - EcoParque
Parque de Jardins Temáticos
Santo Antônio do Pinhal - SP

domingo, 12 de maio de 2013

DESCONECTADA

Estive, por cerca de 15 dias, sem computador!
Como é complicado estar desconectada. A Internet entrou em nossa vida e,  sem pedir licença, instalou-se, acomodou-se e invadiu o nosso espaço.
Tornou-se essencial para tudo, das mais simples ações, como enviar uma mensagem, aos mais complexos e cotidianos encargos, como pagamento de tarifas, solicitação de documentos...

Agora estou de volta!


  Elba Ramalho e Dominguinhos
De volta pro meu aconchego
Youtube

Um alô saudoso aos amigos que me acompanham.

sábado, 20 de abril de 2013

SOBRE SENTIDOS E FORMAS



"A função da forma é a beleza"
Oscar Niemeyer
1907 - 2012



Museu de Arte Contemporânea

Museu de Arte Contemporânea
Niterói - RJ



Podemos sentir a beleza? 
Podemos perceber a alegria?
Ah, que bom seria se o que não está visível aos olhos, 
ou sensível  ao tato, 
pudesse ser tão claramente percebido. 
Não haveria desencontros ou tristezas.
                                       Apenas identificação.





quinta-feira, 11 de abril de 2013

MÁSCARAS







TRÊS EXPRESSÕES


Chega um dia em que podemos enfim tirar a máscara, 
deixar cair a fantasia 
e ser quem sempre fomos 
sem que ninguém houvesse percebido.
Chega um dia em que podemos dizer “Basta!” 
e virar as costas, 
e bater a porta.
Chega um dia em que tudo acaba.
Ou será que tudo se inicia?






Noite dos mascarados
Chico Buarque de Holanda (1966)
Chico  e Elis Regina
Youtube


















sexta-feira, 29 de março de 2013

TRIBUTO A VINÍCIUS DE MORAES

Neste ano de 2013, se ainda estivesse entre nós,  Vinícius de Moraes completaria 100 anos.

Assim o definiu Carlos Drummond de Andrade: "O único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural"

Foi, antes de tudo, um apaixonado - e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável.


Projeto Releituras - Armando Nogueira Junior
http://www.releituras.com/viniciusm_bio.asp



POÉTICA II

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento 
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!


MORAES, Vinícius de. In: Vinícius de Moraes - Obra poética. Rio de Janeiro, Aguilar, 1968.


TOMARA!


Como dizia o Poeta
Vinícius, Marília Medalha, Toquinho e Trio Mocotó
Youtube



terça-feira, 5 de março de 2013

MOGI DAS CRUZES


Nasci e vivo em uma cidade com mais de quatrocentos anos, mais precisamente 452 anos. Para muitos, talvez quatrocentos anos não sejam muito, comparando a cidades cuja história remonta à Idade Média, ou se perdem no tempo, sendo até hoje tema de pesquisas e estudos.
Entretanto, em um continente, cuja história se inicia no ano de 1492 e em um país cujos primeiros dados históricos datam de 1500, uma cidade que tem sua história registrada sessenta anos após a chegada do descobridor Cabral a estas terras, hoje chamadas de Brasil, pode ser considerada muito antiga!



Google Imagens

E a história se mostra em minha terra., visível a olhos perspicazes. A bela serra do Itapeti é a mesma que enfeitava a sesmaria de Braz Cubas, desbravada por Gaspar Vaz. O rio Tietê, que corta nossa cidade é o mesmo no qual singraram bandeirantes em busca de novas terras, ouro e pedras preciosas. É verdade que a serra, em certos pontos encontra-se devastada, alguns espaços deram lugar a condomínios e conjuntos residenciais, mas ela ainda está lá.
O rio Tietê, poluído, assoreado, percorre seu caminho, manso agora que as chuvas de verão   deram trégua, acomodado em seu leito, sem invadir ruas e casas como costuma fazer.
Os vários córregos que tornaram esta uma "cidade de boas águas" para os primeiros moradores, hoje canalizados, ainda cortam a cidade e vez ou outra se fazem presentes em grandes enchentes, como que dizendo: Eu ainda estou aqui... Vocês me mataram e me aprisionaram em canais estreitos, mas eu ainda estou aqui...
A história se faz presente em ruas estreitas, casarões, igrejas centenárias.

                                          Vista de Mogi das Cruzes: à esquerda, à frente a Universidade de Mogi das Cruzes, 
                                           à direita o Mogi Shopping e ao fundo, atrás dos prédios, a Serra do Itapeti.

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=542304

Entretanto, pouco se faz pela preservação desse passado tão importante para nossa consciência como seres  históricos e participativos. Os casarões são abandonados à própria sorte, até que para a segurança daqueles que não os preservaram, sejam demolidos, ou então modificados, muitas vezes deixando apenas a parede da frente, iludindo os olhos dos que procuram as marcas do passado.
Dentre as igrejas centenárias, algumas resistem tenazmente graças ao desvelo das ordens religiosas, de pessoas devotas, de irmandades empenhadas em manter e cuidar. Somente na lembrança,  ficou a Igreja do Rosário, demolida,  cujas terras foram vendidas e hoje dão lugar a um centro de compras...
Agora ouço dizer que querem "atualizar" o nosso brasão, idealizado por Afonso Taunay e desenhado por Wasth Rodrigues, em 1930.  Segundo aqueles que defendem a ideia, é necessário corrigir e modificar o que foi projetado há mais de oitenta anos. 
O que dizer sobre isso?
Em uma terra que deixa morrer seus rios e que destroi seu passado, tudo é possível. Até mesmo modificar um dos símbolos da cidade. 

fontes: Izaac Grimberg em  História de Mogi das Cruzes e  Wickpedia