quinta-feira, 4 de julho de 2013

MEU QUINTAL II


Aproprio-me  da aquarela de Marlene Edir 
(alemdoquintal.blogspot.com.br) 
para introduzir minha postagem de hoje.


Dia com chuva - Aquarela - (detalhe)
Marlene Edir

Escrevi o texto abaixo há quase dois meses.. Com a correria de final de semestre, ficou em rascunho até hoje. O que era prenúncio de inverno,  já é inverno pleno, com temperaturas baixas para nós, que temos um tempo ameno e mais propenso ao calor. Mas o quintal está quase todo verde. A grama cresce, as plantas voltam a ter viço. A vida recomeça...

MEU QUINTAL II

Um coro de andorinhas invadiu meu quintal hoje, após a chuva forte que trouxe novamente o  frio, prenunciando o inverno. Corri para recolher a roupa que balançava ao vento, quase seca, neste domingo preguiçoso.

Após a reforma, meu quintal é agora apenas área de lazer, tudo o que lembra trabalho:  materiais de limpeza, baldes, bacias, etc, ficam na área de serviço, próxima à cozinha, e  os varais, por sua vez, ficam na área lateral de minha casa. Motivo de reclamações do Júlio, que não se conforma em ver o sol forte lá no fundo e a roupa a secar na área sombreada, que recebe, neste outono, apenas o sol forte do meio dia.

Lá no fundo,  já passaram os pedreiros, os pintores, o eletricista, falta agora apenas o jardineiro para recuperar a grama destruida e replantar o que consegui salvar em vasos.
Felizmente o pé de café resistiu, bem como o arbusto - neve da montanha -  que trouxe em forma de semente de Águas de São Pedro e hoje  está forrado de flores brancas.

Reli minha postagem de outubro (01/10/2012) e percebo que já se passaram sete meses. Do projeto à construção terminada foram tempos difíceis, em que tentei conciliar obra, trabalho, crianças, rotina da casa e da Faculdade. O corpo cansado e a mente inquieta pediam momentos de descanso, que eram poucos frente ao acúmulo de tarefas e encargos.

Mas finalmente, a casa volta à tranquilidade, sem o vaivém de trabalhadores, apenas com a correria dos netos que aqui passam todas as manhãs.

Mais algum tempo e meu quintal estará pronto para a preguiça do domingo, na rede,  para o canto dos passarinhos e finalmente para o renascer da vida em forma de flores e frutos.

Amora
Renato Teixeira
Youtube




domingo, 30 de junho de 2013

FILOSOFIA DE FLOR

Para uma amiga que passa por momentos difíceis, ofereço Filosofia de flor


Flores embelezam.
Flores nos trazem perfume,
cor, harmonia...
Flores se manifestam em força que brota, invade, desabrocha.
Mas,
Flores às vezes se tornam vulneráveis:
sofrem, e se guardam
à espera da Natureza - Mãe
ou da  mão protetora do Jardineiro.
Elas parecem tão frágeis, tão pequenas,
mas em si encerram a força que as mantêm.
A seiva se nutre da esperança benfazeja
e elas confiam na mão que traz a vida e a força novamente.
Flores são sábias:
Logo estarão novamente
desabrochando em brotos:
embelezando a vida,
espalhando o perfume,

a cor e a harmonia.





Fotos: Ana Flávia Gatti (Berlim e Dresden) 
e Jane Gatti (Flores do meu quintal)

sábado, 25 de maio de 2013

POESIA SERTANEJA

Agradeço a minha amiga, Professora Valéria Mello Freire, pelo livro Vaqueiros e Cantadores, uma reedição da obra de Câmara Cascudo, pesquisador da arte popular, da cultura sertaneja do Brasil.

A poesia tradicional sertaneja tem seus melhores e maiores motivos no ciclo do gado e no ciclo heroico dos cangaceiros. O primeiro compreende as "gestas" dos bois que se perderam anos e anos nas serras e capoeirões e lograram escapar aos golpes dos vaqueiros. [...]
[...] O ciclo heroico dos cangaceiros, posterior ao ciclo do gado, não tem menor abundância nem influência na "cantoria" sertaneja. Os grandes criminosos estão com suas biografias romanceadas.
Câmara Cascudo  

A seguir um exemplo de Poesia de Cordel, de autoria de João Mendes de Oliveira, em homenagem ao Padre Cícero, figura religiosa e mística do sertão, registrado no livro de Câmara Cascudo.

Faz quarenta e tantos ano
que chegou no Juazeiro,
construiu uma Matriz, 
botou na frente um cruzeiro...
Celebrou a Santa Missa,
deu bênção ao Mundo Inteiro...

É um pastor delicado,
é a nossa proteção,
é a salvação das alma,
o padre Cisso Romão,
é a justiça divina
da Santa Religião!...

[...]

Quem não prestar atenção
ao que meu Padrinho diz
também não crer na Matriz
da Virgem da Conceição,
nem no profeta São João,
não poderá ser feliz.

[...]  

Não tenho mais a dizer,
Eu sou João Mendes de Oliveira,
nesta língua brasileira
eu nada pude aprender,
porém posso conhecer,
de tudo quanto é verdade!
Não tenho capacidade,mas sei que não digo à-toa:
PADE CISSO É UMA PESSOA
DA SANTÍSSIMA TRINDADE!...
                                                     João Mendes de Oliveira



sábado, 18 de maio de 2013

DIVINO

      
         Minha cidade, centenária, comemora seus santos de forma festiva. Iniciam-se em abril as festas, as quermesses, as procissões, uma reunião de devotos, cidadãos conhecidos e desconhecidos, que se unem para louvar e agradecer dons e proteção recebida. 
      Começamos, se não me engano, com a Festa de São Benedito, que tem história interessante e merece uma postagem especial, seguimos com São José Operário, vivemos agora, neste mês de maio,  a Festa em louvor ao Divino Espírito Santo. Ainda em maio,  a festa de Santa Rita de Cássia, em junho os Santos Juninos: Santo Antonio, São João e São Pedro e finalmente, em julho, Sant'Ana, padroeira da cidade.
      O ponto alto é, com certeza a Festa do Divino, comemorada há 400 anos, com grande aparato e organização.Atrai até mesmo turistas, para uma cidade em que o turismo não é o forte. Nesses dias de festa, a quermesse é imensa, com quitutes usuais e típicos, como o Afogado, um caldo de carne com legumes e o Tortinho, bolinho de farinha de mandioca, com recheio de carne moída.
      Mas o que fica mesmo dessa festa toda, é a emoção do povo. As lágrimas dos que carregam bandeiras vermelhas, que contagiam a quem apenas acompanha e observa; as orações emocionadas de pessoas de todas as idades e condições sociais, as mãos elevadas em prece, os olhares.
      Uma energia estranha e poderosa nos invade ao percorrer, cantando e rezando, as ruas da cidade, adormecidas ainda.  Ao acompanhar a Alvorada, antes do nascer do sol, nos sentimos parte de algo maior, uma irmandade na fé, nas raízes, nas origens.
      Mais que uma manifestação folclórica de minha cidade, a festa do Divino Espírito Santo resgata o homem em sua identificação com sua terra, seu semelhante e sua fé.


Olga Duarte Nóbrega 
Pintura para cartaz da Festa do Divino de Mogi das Cruzes - 2013
Google Imagens


"Os devotos do Divino vão abrir sua morada
Pra bandeira do Divino ser bem-vinda, ser louvada
[...]
Que o perdão seja sagrado, que a fé seja infinita,
Que o homem seja livre e a justiça sobreviva"
                                                      (Ivan Lins)



A bandeira do Divino
Ivan Lins
Youtube


terça-feira, 14 de maio de 2013

TARDES DE ABRIL

O céu de um azul escandalosamente puro
invade os olhos, incorpora, aquece a alma.
A aragem é fria
e prenuncia uma noite de fartas cobertas
e  amores aquecidos.
Não há resquício da euforia do verão,
de corpos suados e noites festivas:
O que fica é a delicadeza do outono
E o esforço do sol tentando aquecer a tarde fria.
Tardes de abril!
Despertam a alegria suave
da vida serena 
sem grandes arroubos ou  emoções intensas
Um hiato entre o frio do inverno e o calor do verão.
Lembranças de outras tardes,
de outros azuis
povoam meus olhos e meus pensamentos.
Nesta tarde de outono
uma alegria mansa e saborosa
perfuma meus passos, invade meus sentidos
e a vida segue sem sobressaltos,
construindo caminhos, 
em Paz.


Jardim dos Pinhais - EcoParque
Parque de Jardins Temáticos
Santo Antônio do Pinhal - SP

domingo, 12 de maio de 2013

DESCONECTADA

Estive, por cerca de 15 dias, sem computador!
Como é complicado estar desconectada. A Internet entrou em nossa vida e,  sem pedir licença, instalou-se, acomodou-se e invadiu o nosso espaço.
Tornou-se essencial para tudo, das mais simples ações, como enviar uma mensagem, aos mais complexos e cotidianos encargos, como pagamento de tarifas, solicitação de documentos...

Agora estou de volta!


  Elba Ramalho e Dominguinhos
De volta pro meu aconchego
Youtube

Um alô saudoso aos amigos que me acompanham.

sábado, 20 de abril de 2013

SOBRE SENTIDOS E FORMAS



"A função da forma é a beleza"
Oscar Niemeyer
1907 - 2012



Museu de Arte Contemporânea

Museu de Arte Contemporânea
Niterói - RJ



Podemos sentir a beleza? 
Podemos perceber a alegria?
Ah, que bom seria se o que não está visível aos olhos, 
ou sensível  ao tato, 
pudesse ser tão claramente percebido. 
Não haveria desencontros ou tristezas.
                                       Apenas identificação.