quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

MONTANHAS DE MINAS


copyright Albertina Dias
no blog: NATUREZA - Um toque especial de Deus
Postado por Thymonthy Becker
http://oprevisor.blogspot.com.br/2010/08/as-montanhas-das-minas-gerais.html


Fartas e femininas
são as montanhas de Minas:
contornos arredondados
vegetação que se transforma
aos olhos do viajante.
Ora abundante,
ora veludo verde, atapetando a terra,
pincelado pelo gado do bom leite.

Essa Minas que conheço
e que me acolhe hospitaleira
tem um quê de antepassados,
de uma avó que conheci apenas
pelos contares depois da janta:
de uma avó ainda menina, que o italiano comprou...

Essa Minas que eu conheço
revigora, fortalece,
firma meus passos que o tempo
teima em enfraquecer.
Nela eu bebo da água boa, 
das fontes que jorram sem cessar.
Nela eu encontro a paz
em sonoridades aladas,
em farfalhar de folhas que o vento embala, suave.

Minas, as Gerais,
terra de meu pai, de minha avó,
presente no sangue e na estima,
me encanta e estará sempre
na lembrança afetuosa, no desejo de voltar...



Como faz um viajante, a procurar horizontes...
Almir Sater
Horizontes
Youtube

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

TEMPO


O tempo insiste em deixar marcas:
Em meu rosto, em minhas mãos...
O tempo insiste em se fazer presente
Criando passados,
Limitando os passos,
Os compassos...

Disse o poeta que seu tempo é quando;
O meu tempo é o momento
Da palavra pensada,
Do verso, sem rima, sem nexo...
O meu tempo se faz e se desfaz,
Uma linha que se tece e se perde
No desenrolar do novelo...

Tempo, tempo, tempo, tempo
Diz a canção
Que o vento traz e leva.
Esparramando a poeira do caminho,
Balançando as folhas
Da árvore que plantei
Em um tempo que se foi.

Meu tempo é o poema,
Que se perde ao ser gerado
Mas é aquele que ao nascer tem a força das marés:
Quebra os limites,
Apaga as marcas
Faz esquecer passados,
E dura o tempo necessário

Para compor a vida em versos sem rima e sem nexo...

Oração ao Tempo
Rita Ribeiro 
Youtube

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

RECEITA DE ANO NOVO

Para terminar o ano, meu poeta preferido: 
Carlos Drummond de Andrade

Estátua de Carlos Drummond de Andrade  
Obra de Leo Santana - em bronze
Calçadão de Copacabana - Rio de Janeiro
http://www.wikirio.com.br/

Receita de Ano Novo
                                 Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.
http://pensador.uol.com.br/

domingo, 29 de dezembro de 2013

CHUVA

A tão benfazeja chuva veio para aplacar o forte calor que vivemos nos últimos dias. Sendo Mogi uma cidade de clima temperado, estes dias de sol escaldante têm nos castigado bastante. 
E, em busca de um poema para acompanhar a música de Maria Gadú e Luiz Kiari Quando fui chuva, encontrei no blog do José Rosário, seu belo poema O que a chuva traz.
É esse um blog que deve ser visitado, pois  é uma verdadeira aula de arte, com a vantagem de trazer o espírito brasileiro, de Minas Gerais, temperando suas postagens.

O QUE A CHUVA TRAZ..
JOSÉ ROSÁRIO

Veio a chuva me dizer que o verão chegou
Trazendo memórias da infância,
Daquelas,
Que a velocidade dos dias
Insiste em manter distantes.
Embriagando de cenas
Minha retina já cansada de tanto presente.
Deixando imperfeito
Um pretérito cada vez mais meu.

Barquinhos na enxurrada
Represas que afogam lágrimas
Raios e trovões que partem a alma
Dias vestidos de cinza.

A criança que sou se escondeu
Num desses céus revoltos
Desarrumados de ventos e andorinhas.
A ameaça da vidraça que brilha
Olhos maiores que as órbitas
Goteiras nas latas a ninar insônia.

Desmancham as nuvens
Enquanto teço minha colcha de cacos
Enquanto sou só saudades e abraços
Dos distantes dias de verão
Da chuva que ressuscita lembranças.

http://joserosarioart.blogspot.com.br


Quando fui chuva
Maria Gadú e Luiz Kiari
Youtube

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

NESTE SEU NATAL

A todos os meus amigos, os meus votos de Natal.

Desejo a você
Noites enluaradas,
Róseas tardes
Manhãs de céu azul, sem nuvens,
apenas o azul e o sol.

Desejo a você
Abraços de amigos,
Beijos molhados de lábios infantis,
Olhares de compreensão,
Mãos que apoiam, que acariciam,
que se estendem, companheiras.

Desejo a você
palavras de estímulo, de encorajamento,
de carinho, de confiança,
e também de perdão, 
de compreensão.

Desejo a você
Um coração que bate forte e compassado,
capaz de resistir aos golpes da vida;
Pernas fortes que possam levá-lo aonde quiser ir...
E uma cabeça boa,
que identifique o certo do errado,
o justo do injusto,
e possa decidir o seu próprio destino.

Finalmente, desejo a você
a humildade de reconhecer as próprias falhas,
a delicadeza de perceber e compreender o outro,
a alegria das pequenas coisas e dos fugazes instantes de paz...

São esses os meus votos, para este Natal
e para os dias do Ano Novo,
e ofereço,  como um brinde, o meu carinho e a minha amizade.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

TEMPO DE NATAL

É tempo de Natal!
Todos os sentidos são estimulados: luzes, sons, aromas, delícias na mesa, abraços, beijos... Ao menos uma vez ao ano...

É tempo de Natal!
A sensação de abrir o coração para o outro parece renascer e campanhas, doações, ofertas são feitas aos que mais precisam. Ao menos uma vez ao ano...

É tempo de Natal!
Para muitos, a fé se renova ou renasce, e os templos se enchem de fiéis que creem, que buscam o perdão, ou que prometem, se comprometem. Ao menos uma vez ao ano....

É tempo de Natal!
As famílias se unem, em comunhão, relevando as falhas, esquecendo as mágoas, perdoando as faltas. Ao menos uma vez ao ano...

É tempo de Natal!
Os amigos se confraternizam, as diferenças são esquecidas, os ausentes são lembrados, há uma trégua nas disputas cotidianas. Ao menos uma vez ao ano... 

É tempo de Natal!
E como seria bom se esse tempo se prolongasse, permanecesse por todos os dias do Ano Novo, até que chegasse um novo tempo de Natal...




NATAL
Di Cavalcanti
http://www.cultura.rj.gov.br/materias/galeriabrasil

domingo, 3 de novembro de 2013

MINAS DE SAULLO E MORAIS



Para o livro Aldeia de Minas (Saullo e Morais - Editora Novo Mundo - 2002), o qual traz fotos e poemas que retratam a cidade de Passa Quatro, assim Rubem Alves iniciou seu prefácio:

Minas é onde o tempo passa devagar.
O passado não quer partir, teima, quer ficar...

E sobre os autores, em meio a uma prosa que é toda poesia, ele discorre:

O César Saullo fotografou esse passado que não quer partir, Minas Gerais.
Os olhos do Saullo fotografam o tempo que não quer partir, os olhos que sofrem de despedidas.

O Régis de Morais é poeta... Em Minas nascem os poetas... 
O poeta fala nos silêncios do visível. Põe palavras nos seus interstícios.

ESTAÇÃO

A estação sonha 
com silvos de locomotivas negras.
Dentro dela
triangulam sombras de aflitos,
famintos de distâncias.
O sonho
é hoje a essência rósea
da estação,
enlouquecida entre os girassóis 
de Van Gogh (meras florinhas
campestres)








"Uma luz, que na falta de palavra melhor, 
não posso denominá-la de outro modo, 
 senão amarela."

 (Van Gogh sobre Os Girassóis)








Respeitando os direitos dos autores, a foto da estação de Passa Quatro, aqui exibida,  foi copiada do Google Imagens, não sendo de autoria do fotógrafo Régis Morais.

Textos: 
SAULLO, Cesar; MORAIS, Régis. Aldeia de Minas. São Lourenço, MG: Novo Mundo,   2002.
Imagens: 
Estação de Passa Quatro - Minas Gerais, www.mildias.com, Google Imagens
Os Girassóis, Van Gogh, http://juliananomundodasartes.blogspot.com, Google Imagens