terça-feira, 22 de dezembro de 2015

É NATAL!

O ar quente invade a sala iluminada.
A família reunida, entre beijos e abraços,
os votos, as palavras de carinho
compõem uma cena amorosa
que se repete a cada ano...
É Natal!

Crianças de olhar iluminado,
Ternura de gerações que se encontram,
A mesa farta aguarda o apetite dos mais jovens,
Sorrisos, afagos, mãos que se tocam.
Olhos nos olhos...
É Natal!

Ah, se todos os dias do ano,
em todas as casas, em todos os cantos,
a mesa fosse farta, as famílias fossem felizes,
o futuro trouxesse certezas.

Ah, se todos os dias do ano,
em todas as casas, em todos os cantos,
a paz e a harmonia, o respeito e a liberdade
fossem a verdade de cada um...

Então,  
para mim, para você, para todo ser vivente
todos os dias do ano
Seriam...  Natal!



A todos os amigos
Votos de Boas Festas e um Ano Novo de Paz e Alegrias



Parque do Ibirapuera, São Paulo
Google Imagens
http://www.dropsmagazine.com.br/2013/12/23/uma-noite-feliz-natal/

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

BEIJA-FLOR


Entre paredes,
encarcerado, 
ele voa, rápido, buscando a luz....
Portas abertas,
convite ao voo, ao horizonte,
à liberdade... 
Ele ignora
e se debate, e se volta para a barreira,
que ele mesmo criou...
Ignora a água, a flor cheirosa,
na ânsia inquieta de fugir...
Mas o caminho, sempre o mesmo,
repete, e repete,
e se choca à parede branca,
talvez, quem sabe,  arremedo de céu...
E assim segue, horas a fio,
sem pouso, sem descanso...
Apenas, vez ou outra, um rápido pousar
sobre a lâmpada apagada.
A noite chega e lá está ele,
aconchegado sobre a lâmpada,
lembrando galhos, lembrando ninhos, 
sozinho...
Um novo dia,
uma nova esperança,
renovadas as forças e, finalmente,
percebe a porta, sempre aberta.
Lá vai ele, em seu voo rápido,
em busca de perfume e de cor,
Voa, enfim liberto, beija-flor.





Imagem: Beija-flor do papo branco
http://animais.culturamix.com/informacoes/aves/beija-flor-de-papo-branco
Música: Milhões de estrelas (Almir Sater e Paulo Simões)
Almir Sater -  YouTube

domingo, 29 de novembro de 2015

ETERNA MÚSICA

Por alguns instantes fiquei pensando em algo para postar hoje. 
Depois de emoções intensas nas duas últimas semanas: lançamento de meu livro, encontro de final de ano com amigos queridos, almoço de comemoração dos cinquenta anos de formatura no magistério, volto à rotina de postagens neste blog.



O que escrever?
Recorro à música: deixo para a próxima vez a produção literária e compartilho hoje uma melodia que considero atemporal, além de ser uma das que mais aprecio.
Bom final de domingo a todos os amigos.
Boa semana...
Emocionem-se com Piazzola...



Adios Nonino
Astor Piazzolla
Youtube




domingo, 15 de novembro de 2015

E O LIVRO FICOU PRONTO!


Todos os momentos dedicados ao meu mais novo filho!
Meu livro de contos O olhar da Madona ficou pronto e dedico-me, nos últimos dias, a organizar o lançamento, a enviar convites, a oferecer alguns volumes à família e aos amigos mais chegados.
Por esse motivo, ando sem tempo de postar neste blog ou ler as postagens dos amigos.
Peço perdão aos que costumam ler o que escrevo e espero retornar na próxima semana.
Até lá.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

SEMPRE POESIA: SEMPRE DRUMMOND

Vivemos tempos áridos...
Somos bombardeados por notícias de um mundo caótico, em que se mata por diferenças, sejam elas sociais, religiosas, políticas... Um mundo em que seres humanos exploram, roubam, agridem outros seres humanos sem escrúpulos, sem  piedade... 
Em nossa vida pacata, tranquila, cercada do carinho dos amigos e da família, parecemos estar em um outro mundo, não aquele retratado nos jornais ou na televisão.
Que mundo é esse? O que lhe falta?
Meu poeta preferido (já disse isso várias vezes), Carlos Drummond de Andrade, nos mostra o caminho. O único. O derradeiro.

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu.
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro, Record, 1985, p.16


Blog da Cosac Naify
http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=9149

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SOBRE MEMÓRIA E AFETO: OLGA DUARTE NÓBREGA

A memória afetiva é algo peculiar. Lembramo-nos de fatos e de pessoas que nos marcaram e nos esquecemos daqueles que não chegaram a nos influenciar, seja de forma positiva ou negativa.
Dentre aqueles que guardo em minha memória, com carinho e admiração, está Olga Duarte Nóbrega. A lembrança dessa grande pintora e poetisa mogiana vem atrelada à imagem de minha mãe, que também muito a admirava e estimava.
Coube-me como herança,  a tela  de Olguinha, como ela a chamava, e que tenho agora na parede que fica atrás de mim, enquanto digito estas palavras.
Representa um caminho, em que se vislumbra a silhueta de uma mulher e de uma criança. Á direita um conjunto de árvores e à esquerda uma construção que poderia ser uma casa, ou uma escola. Conhecendo a trajetória de minha mãe, professora que iniciou sua carreira na roça, em casas cedidas pelos fazendeiros, é possível perceber que a tela é uma homenagem a ela.
No verso, a dedicatória, com palavras de carinho e admiração, e a data: maio de 1980.
Até hoje ativa e produzindo belas obras de arte, Olga Duarte Nóbrega  faz parte dessa legião de artistas que vive e produz em Mogi das Cruzes, minha terra.




Olga Duarte Nóbrega nasceu em Mogi das Cruzes e desde criança se interessou por artes plásticas e poesia, até que em 1961 passou a ter aulas no ateliê do pintor e professor de pintura Antonio Ferri. "Seu estilo pode ser definido como Expressionismo Figurativo, com seu modo peculiar, poético e espiritualista de representar a vida", destaca Mieka Fukuda.[...]
Seus gêneros prediletos são paisagens com casarios, com capelas e igrejas, e urbanas, além de retratos cenas de cultura popular, de manifestações religiosas e folclóricas e natureza morta.

(Texto publicado na página da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, em 09/12/2011, quando da entrega do título de Honra ao Mérito a Olga Duarte Nóbrega.)


Olga em homenagem na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes
http://www.cmmc.sp.gov.br/

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

APENAS MUROS

Muros, muros, muros é o que se vislumbra,
no horizonte árido e opaco...
Não há esperança
apenas o medo...
Criado, cultivado, perpetuado
ele se instala muito cedo
transvestido, disfarçado, transformado
em precauções, em desconhecimento...

E do outro lado do muro está o mundo
inteiro, crescente, avassalador.
E o diferente está do outro lado.
E o que intriga, está do outro lado.
E o que magoa está do outro lado.
Do outro lado está também o novo,
o desconhecido, o muito que existe a desbravar...

Mas na aridez da vida que se vive,
Apenas muros é o que se vislumbra,
não há luz, até o céu torna-se opaco...




SUBSOLO ART
FRASES PICHADAS - MUROS E PENSAMENTOS III
subsoloart.com/blog/2013


"No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estrada." Mia Couto

Palavras proferidas por Mia Couto em vídeo que circula pelas redes sociais.