terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

NATUREZA E HUMANIDADE

Observando as postagens do blog, encontrei em rascunho o texto abaixo, escrito em  2015, e que não foi postado. 
Publico agora e percebo que,  embora o  quintal não esteja tão florido, a humanidade continua a mesma...

http://rwpaisagismo.blogspot.com.br/2015/11/trepadeira-jasmim-estrela.html

Enquanto a humanidade  nos oferece, a cada dia,  violência, corrupção, morte, discriminação e enche nossos olhos e ouvidos com imagens e sons que chocam pela perversidade, pela incompreensão, pela indiferença pelo ser humano, a Natureza, por sua vez, cumpre sua missão eterna de perfume e beleza...
No meu pequeno quintal, os gerânios apresentam vários brotos de flores coloridas, começando a se abrir com a chuva benfazeja que vem atenuar a grande seca que vivemos.
As orquídeas, brancas, amarelas, roxas, gloriosas, enfeitam as prateleiras, alegrando quem por ali passa.
A roseira me presenteia com dois brotos fortes, de um rosa vivo. O grande arbusto de lantana, todo florido, aguarda a visita do beija-flor, todos os dias... O jasmim estrela já está florido o suficiente para perfumar o cantinho, ao lado da ararinha azul, de madeira, e do sino de bronze que trouxe de Santo Antonio do Pinhal. Ainda não têm flores os hibiscos vermelhos e nem o sapatinho de judeu que, embora verdejante e viçoso, depois da última poda, está revoltado e se recusa a subir pela trave da varanda...
Borboletas, abelhinhas jataí, minhocas, formigas e aranhas convivem em harmonia, respeitando espaços...
Esse é meu pedaço de mundo, aí tento esquecer a época em que vivo e as imagens tristes que me são apresentadas diariamente.
Meu quintal, meu refúgio, um lugar onde a natureza me conforta e me inspira.
Quem sabe, algum dia, a televisão, o jornal ou até mesmo a internet possam me apresentar um mundo tão harmonioso como este que existe em  meu  quintal.
Dezembro de 2015.










terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

PEQUENOS PRAZERES

Muito se tem falado sobre prazer, nesses tempos de insegurança, violência e crises em diferentes aspectos da nossa vida.
O ser humano então, busca o prazer talvez como compensação. O  prazer do consumo, da posse ostensiva de bens materiais; o prazer do divertimento sem limites temporais ou espaciais... E a vida  torna-se uma eterna festa, sem comprometimentos...
Entretanto, não quero falar desses prazeres e sim daqueles, pequeninos, singelos, puros, que não proporcionam grandes euforias, mas sim provocam sorrisos, evocam lugares, pessoas, palavras, sons.
E, por serem singelos e puros, são comuns a todos, seja qual for a classe social, a situação econômica, a idade...

Proponho então, um passeio por esses pequenos prazeres que são meus, mas quem sabe, possam também ser seus.

Ah, o prazer que nos proporciona...
O aroma do café, bem cedo, coado pela mão amorosa da mãe...
O olhar de aprovação do professor, do técnico ou do instrutor após uma ação perfeita...
O carinho estabanado do cão à nossa chegada...
O encontro fortuito com um amigo que há muito não se via...
O carinho da mãe, do pai, do marido ou do filho, ajeitando nossas cobertas, em noites frias...
A visão de um céu de azul tão puro que ofusca o olhar...
Os acordes da melodia perfeita que invadem nosso ser, chegando até a alma...
Prazeres simples, que estão ao nosso alcance e que podem ser lembrados e sentidos a qualquer momento, em qualquer lugar. 
Pequenos prazeres, simples mas preciosos; esses, nada nem ninguém poderá jamais nos tirar.

http://www.paginasiniciais.com.br/xicara_de_cafe_quente/

sábado, 4 de fevereiro de 2017

DEPOIS DO TEMPORAL

Há imagens que se tornam inesquecíveis:
o sol que se esconde no horizonte, avermelhando o firmamento;
a visão das nuvens, lá embaixo,  a partir da janela do avião;
o arco-íris enfeitando um céu ainda cinzento após o temporal...



Após um ano de temores, de angústia e apreensão, que 2017 nos traga a certeza de dias melhores...

A verdade por trás do céu azul
Youtube

E não havia arrecifes
Nem bancos de areia
Nem temores, nem mais dores
Não havia cansaço
Só havia, só havia azul e espaço...

                                          Ivan Lins



Depois dos Temporais
Ivan Lins
Youtube

sábado, 9 de julho de 2016

NA PALMA DA MÃO

Nesta tarde dourada de outono,
Em que asas sonoras enfeitam um céu de Ticiano,
e a brisa leve faz balançar as flores do canteiro,
não há como não pensar em algo maior...
Maior que a matéria, que se corrompe,
maior que o poder que envenena a alma,
maior que os desejos primitivos, incontroláveis.
Algo que recebe os nomes mais diversos,
e diferentes formas de devoção...
Mas mantém os princípios básicos do viver,
do conviver, do aceitar, do acolher...
Nesta tarde dourada de outono,
a alma se entrega à beleza:
o olhar se torna oração
e o corpo - templo aberto à vida e à paz.
Um ser irmanado, 
identificado:
o Universo na palma da mão.


Dance
Yiruma
Youtube


sexta-feira, 8 de julho de 2016

SOBRE OS DEFEITOS

Muito se escreve, muito se discute sobre os defeitos humanos. Fico a pensar nos meus, que são tantos.... 
Dentre todos, creio, o que mais me inquieta é a inconstância. Faço planos, traço metas, consigo até mesmo manter-me no rumo traçado por algum tempo, mas depois...
Se algo se interpõe na trajetória, ela se desgoverna e quando menos espero, já deixei de falar, de fazer, de escrever...
Ando em um tempo assim. Preocupações com pessoas queridas têm-me feito deixar de lado este espaço em que fiz amigos distantes, sem ao menos conhecê-los. Que se alegram com minha presença, incentivam-me, acolhem as minhas ideias e meus devaneios, com respeito, com uma benevolência que me comove.
Mas, sou assim. Tento ser constante, mas reconheço: não o sou.
E aqui estou, depois de um tempo afastada deste blog, tentando novamente publicar ao menos uma vez por semana. Conseguirei? Não sei. Ao menos, afirmo que tentarei.
Aos que me seguem, meu carinho e meu agradecimento.



Bloguesia  
Taiara Desirée
http://www.bloguesia.com.br/2012/01/07/pessoas-inconstantes/ 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

E ELA ME TROUXE FLORES

A amizade não se explica...
A verdadeira amizade,
que não está ligada a favores,
que não subverte, que não se impõe,
que não ocupa espaço,
apenas existe e subsiste.
Surge não se sabe quando ou como,
fruto da convivência,
ou apenas do encontro, do acaso,
de um olhar, por que não?
E então existe: somos amigos!
Às vezes se percebem  ideias e ideais comuns,
outras vezes surpreende:
como ser amigo de alguém tão diferente?
Mas assim é...
Amizade não se explica...
Pode o tempo passar,
a distância separar,
mas a amizade se mantém.
E o amigo se reconhece
não por presentes ou elogios baratos,
mas por palavras sinceras, 
gestos na medida certa.
Ou então pela simples presença,
pelo  abraço emocionado,
pelo sorriso de compreensão...

Ontem eu a vi no meu portão:
ali estava minha amiga,
e ela me trouxe flores...



A Amizade
Fundo de Quintal  
Youtube


sexta-feira, 29 de abril de 2016

MUITO ANTES

Do alto da torre, imponente e bela,
o presente observa as marcas do passado...
Observa as águas - nunca as mesmas -
que levaram a terras distantes os costumes,
a cultura, o saber de um povo.
Destas águas - nunca as mesmas - 
partiram
a encontrar o diferente, o inusitado, o novo.

Do alto da torre, imponente e bela,
observo as águas - nunca as mesmas -
que levaram sonhos, ideais de conquista,
bravura e força a dominar os fracos...
Destas águas  - nunca as mesmas -
partiram
e uma nova terra - minha terra -
tornaram sua...

Do alto da torre, imponente e bela,
observo as águas que passam
- nunca as mesmas -
pois aqui começa a minha história,
a historia de minha pátria,
muito antes de poder escrevê-la,
ou sequer pensá-la...

Muito antes...





A torre de Belém é um referente do Portugal Atlântico e periférico. Embora ancorada no Tejo. e armada durante séculos com artilharia fixa, remete-nos para a viagem, para o querer, para o êxodo, para o nomadismo do Homem Português pelo Mundo repartido, e para o pioneirismo dos nossos seculares contactos de cultura  nos vários espaços insulares e continentais. A nudez simbólica das suas pedras remete para as dimensões local, regional e nacional, mas alarga-se à dimensão Universal onde pode caber o Homem uno e diverso. A Torre de Bel[e, afirma o direito à diferença dum povo e duma comunidade alargada de língua comum.
TORRE DE BELÉM
http://www.mosteirojeronimos.pt