quinta-feira, 19 de julho de 2012

DE VOLTA - PALAVRAS

Após quinze dias de esperadas férias, retorno à rotina de trabalho, encontrando os amigos queridos, as decisões a tomar, as tarefas a cumprir. Retorno ainda a este blog, do qual tirei férias também, pois a vontade era de apagar, por alguns dias, tudo aquilo que faz parte de meu dia a dia.
Agora, ânimo renovado, envio meu abraço aos meus visitantes, conhecidos ou não, esperando que tirem algum proveito do que encontrarão neste espaço. 

PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÃO
João Cabral de Melo Neto
     - VII -

É mineral o papel
onde escrever
o verso; o verso
que é possível não fazer.

São minerais 
as flores e as plantas,
as frutas, os bichos
quando em estado de palavra.

É mineral
a linha do horizonte,
nossos nomes, essas coisas
feitas de palavra.

É mineral, por fim,
qualquer livro:
que é mineral a palavra
escrita, a fria natureza

da palavra escrita

In: MORRICONI, Italo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. 
Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.






 CLARICE   ESCREVENDO

Por que não tentar neste momento, que não é grave, olhar pela janela? Esta é a ponte. Este é o rio. Eis a Penitenciária. Eis o relógio. E Recife. Eis o canal. Onde está a pedra que sinto? a pedra que esmagou a cidade. Na forma palpável das coisas. [...]









Se esta foi uma palavra ecoando no chão duro, qual é o teu sentido? Como é cavo este coração no peito da cidade. Procuro, procuro. Casa, calçadas, degraus, monumento, poste, tua indústria. 
Da mais alta muralha - olho. Procuro. Da mais alta muralha não recebo nenhum sinal. Daqui não vejo, pois tua clareza é impenetrável. Daqui não vejo, mas sinto que alguma coisa está escrita a carvão numa parede desta cidade.          

 Clarice Lispector: O manifesto da cidade. 

 In: Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro, Rocco, 1999.




Fotografia:  Google Imagens   

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Uma palavra
Chico Buarque de Holanda
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