sábado, 19 de setembro de 2009

CARMO

Trezentos anos de recolhimento e preces contemplam a praça, impassíveis ao passar do tempo e das gerações.
Do alto da torre, os sinos centenários, emudecidos, parecem dormir. Só despertarão ao sol do meio dia, quando seu som festivo espantará os pombos que se abrigam nos beirais.

Janelas e portas fechadas, de um verde forte, destacam-se na parede branca irregular, protegendo a riqueza de seu interior: imagens, pinturas, entalhes, reunidos em uma atmosfera de sombra, silêncio e paz.

O contorno domina a praça, de tradição e história perdidas e aviltadas; imponente, vê passar pessoas de todas as idades, raças, destinos, desejos...

Igreja e praça se integram, e por sobre as pedras irregulares passam sons e sonhos, dores e amores, em busca do alento ou da salvação. Reúnem-se em um único espaço, que perdurará repleto de história e de histórias, misto de tradição e modernidade, passado e presente fundindo-se em um tempo que passa, fugaz.

À luz do sol a igreja brilha e atesta seu poder e permanência: passarão os tempos e ela estará lá, repicando sinos e recolhendo orações.