domingo, 6 de setembro de 2009

Tudo que se esvai


Luz do entardecer.
Sol no horizonte.
Formas das nuvens
... negras da tempestade.
Areia no rodamoinho.
Caminho da gota na janela.
Sereno sobre a folha.
Vapor ao sol da manhã.
Chuva ao vento forte.
Imagem vista da janela
... do trem
Areia na ampulheta.
Desenho na areia da praia.
O verde no solvente.
Também o amarelo, o vermelho, o azul, o branco.
O sorriso na boca.
A lágrima nos olhos.
O abraço.
O beijo.
Os rostos na janela do ônibus.
A fumaça da fábrica.
O café, no leite - mistura, fusão.
A manteiga no pão quente.
O açúcar na panela ardente - transformação.
O gesto.
A palavra.
O olhar puro do menino.
O suspiro do amante.
O pulsar do coração agonizante.
O creme no corpo.
A música trazida pelo vento.
A última badalada do velho sino da igreja.
O cavo som da pedra no fundo do poço.
O riso da criança.
O soluço do peito.
O doce aroma da dama da noite.
O perfume da moça que passa.
O sabor de hortelã do beijo da menina.
O cheiro de trabalho do homem ao lado.
O suave odor da primeira rosa enamorada.
O cheiro de cebola e alho nas mãos da mãe que já se foi.
O aroma das páginas do livro novo.
E da roupa nova.
A cumplicidade dos apaixonados.
A raiva.
A aflição.
O medo.
Os pensamentos ao adormecer.
As lembranças.
O amor.
A vida.