quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UM "PONTO" PARA REFLETIR

É tão bom ler textos que nos instiguem, que nos levem à reflexão, que nos dêem prazer... Tenho lido muito, principalmente sobre a Filosofia de Luc Ferry (a conselho do amigo Jairo), sobre Contos (já que tenho a pretensão de publicar os meus), e hoje, tive a grata surpresa de ler os poemas do Leandro Bassini. Gostei da musicalidade, das idéias sugeridas, da construção e do conjunto do poema. Compartilho com vocês, que lêem estas linhas, os poemas Ponto e A arte de ver o mundo. Aproveitem!

PONTO
Leandro Bassini

 Um ponto é um ponto e fim.
Fim de frase, fim de linha;
Negócio fechado, acordo tratado;
Último passo, beira do abismo;
Questão de honra, passo a passo, rinha.
Boca pequena, trama e linha.

Quanto cabe em um ponto?
Toda a tinta que houver.
Toda a fidelidade que houver.
Toda a certeza que houver.
Toda a paciência que houver.
Todo o infinito.
Um ponto é over.

Todo conto termina num ponto, para dar início a outro conto.
Ponto é pausa para o recomeço;
É suspiro; não é vírgula não, é suspiro de berço.
É apreço. ... enfim recomeço

O que cala um ponto?
Não cala não.
É definição.
Um ponto pede, insiste – é persistente
Nada se esconde num ponto – se revela.

Todo mundo freqüenta um ponto.
O táxi, o ônibus que se espera.
O norte, o sul que se aponta.
O ponto X, o ponto Chic, o ponto G.
Ponto de entrega, o ponto da entrega
O ponto.

O que parece limite, é fuga.
O que parece singular, é mutação.
O que parece segredo, é vista.
Um ponto é ponto mas não é o fim não.



A ARTE DE VER O MUNDO
Leandro Bassini
Eu como o mundo
E vejo tudo como Neruda.
Minha íris rendilhada
Transforma o aqui e agora
Em poesia e estrada.

O sangue é infra vermelho
O mar é alma contida
O olhar é palavra escrita
O céu é cartola e coelho

Os caminhos que sigo
As direções que tomo
São sopros, jogos do que sinto.

A morte é azul Portinari
O amor é profundo mergulho
A dor é pai sem orgulho
A sorte é achado que se ri

O mundo tem as cores da alma
Aquarela rebuscada
Busco na fé a calma
Para a folha em branco
Que escrevo a martelada.

Todos os sentidos
Todos os desejos
São para mim
Marcas dos anos idos
Loa aos próximos janeiros