segunda-feira, 28 de julho de 2014

SEMPRE POESIA - 2: GOTAS DE CHUVA



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Gotas de chuva na janela
e o coração se agita
em dolorosas memórias 
de lama e dor.

Gotas de chuva na janela
e a alma enclausurada em esquecimento
apenas observa o correr das gotas,
sem lembranças...

Gotas de chuva na janela
e a mãe, o filho ao colo,
murmura preces,  
esperando um  milagre.

Gotas de chuva na janela
e a ansiedade adolescente  
 vê planos desfeitos, 
prazeres adiados.

Gotas de chuva na janela
e prenúncios de barcos  de papel na enxurrada
fazem sorrir o menino
antecipando folguedos.

Pensamentos vários, lembranças remotas,
e o verso brota e flui, riscando a página,
inconstante e fugaz como as gotas de chuva  na janela.